A política editorial desta página é da inteira responsabilidade do Grupo Municipal do PAN - Pessoas - Animais - Natureza
Muito recentemente num programa da Televisão Pública - o Triunfo do Espírito, aludia-se ao colapso do Império Romano e ao ruir das estruturas que tornavam agradável e suportável a vida urbana, e à resposta que a população da altura deu, com o abandono das cidades e o retorno massivo aos campos.
O aparente triunfo dum capitalismo selvagem descontrolado que depois de ter devorado as conquistas de bem-estar das populações de vários Países se prepara agora para as condenar a uma nova forma de escravatura, empurrando gradualmente os salários da maioria para os níveis da subsistência, obrigando-os ao poliemprego, em condições quase sempre precárias, só para poderem honrar os compromissos que assumiram.
Gradualmente a população, sobretudo a urbana, que se vê repentinamente no ciclo infernal de trabalhar e dormir tomará consciência que o preço a pagar por viver na cidade está a atingir níveis insuportáveis. Poderão com alguma justiça dizer que o que acabei de afirmar é um exagero e que a maioria ainda não sente o que estou a afirmar, mas também é um facto que esta é a tendência global e que o resultado do endeusamento da produtividade, eficiência e lucro, aliada ao aumento do desemprego estrutural farão com que a pressão salarial se mova nesse sentido.
Impõem-se mecanismos adicionais de regulação de mercado que parem esta tendência, pois o SMN apenas assegura que um dia destes acordamos com duas classes sociais, os que auferem o SMN e os outros que por qualquer que seja a razão se mostram indispensáveis à manutenção deste sistema iníquo.
Mais de metade dos desempregados não recebem qualquer prestação social. Os mais novos respondem abandonando a terra que os viu nascer, solução essa que será apenas temporária pois este fenómeno não é específico dos países do Sul da Europa, apenas está aí a ser iniciado, tornando-se mais visível. Quanto aos mais velhos (referimo-nos neste caso aos com mais de 45 anos), segundo as últimas previsões, um número significativo, pura e simplesmente não terão mais emprego durante o seu tempo de vida. As respostas dentro deste sistema são escassas e a tendência é colocar a cabeça na areia e deixar que as redes familiares, de amizades e de caridade possam tomar conta da situação. Este, é um claro atentado à dignidade Humana e exige respostas da cidade. Será que estamos a alucinar colectivamente? Estaremos dispostos a aceitar que este sistema absurdo e iníquo destrua tudo o que em séculos foi construído e aprendido?
Perante este ruir das estruturas de apoio social do Estado a que estamos a assistir, forçadas pelo sistema de organização do trabalho em que estamos inseridos, pressionado pelo Capital e Finança internacionais agindo quantas vezes de forma ilegal, espalhando corrupção e miséria, o PAN propõe à Sociedade em geral e à Cidade, uma resposta dupla. Por um lado tudo fazer para retardar/ travar este rolo compressor que tudo tenta destruir, e por outro, tentar organizar os cidadãos em estruturas de base que pratiquem a circularidade do serviço e da entreajuda.
Se todos contribuírem com as capacidades que lhes são próprias, ao invés de termos uma sociedade caracterizada pela escassez actual, entraremos gradualmente, numa era de abundância do Essencial à Vida, uma Vida digna, com Tempo Livre para reflectirmos sobre o nosso percurso individual e colectivo enquanto Seres Humanos.
No que respeita à vertente dos animais não humanos, que está intimamente ligada ao atrás descrito, será fácil concluir que o consumo de animais para a alimentação é uma das grilhetas que agarra os cidadãos a esta máquina destruidora de recursos e Vidas, e que quanto mais rapidamente os cidadãos a ela renunciarem (pois é uma grilheta usada de livre vontade, com o auxílio da propaganda mediática), mais depressa se sentirão em condições para iniciarem uma nova Vida. Isto acontece porque a dependência da proteína animal torna os cidadãos especialmente dependentes do sistema produtivo engendrado pelo actual sistema bio-industrial enquanto os cidadãos vegetarianos têm uma autonomia adicional que inclusivamente pode quase atingir a auto-suficiência quando se faz recurso à Permacultura Urbana e à partilha de recursos entre Permacultores.
Os danos associados ao desperdício de recursos, energia e água, associados à produção de proteína animal são brutais pois esta possui um rendimento proteico quase uma ordem de grandeza inferior ao da proteína vegetal, o que acelera brutalmente o consumo limitado de recursos do planeta.
As mega-explorações animais mantêm custos baixos, não fazendo recurso aos produtos produzidos pelos pequenos agricultores, mas sim e de novo a mega-explorações agrícolas redutoras da biodiversidade, que vivem ligadas a este mesmo sistema destruidor, cultivando cereais, sobretudo o milho e soja transgénicos, com dosagens inqualificáveis de agro-químicos, que irão carregar os sistemas biológicos dos animais, cuja carne e lacticínios serão comercializados sem qualquer rotulagem que indique que advêm de uma alimentação à base de OGM’s.
Torna-se pelo atrás descrito evidente, que o consumo de animais produzidos dentro deste sistema, perpetua uma máquina trituradora de Vidas e Energia (água inclusa). É ainda de notar que segundo a FAO em estudo de 2006 mostrava-se que a bio-indústria dedicada à produção de proteína animal era responsável por 18% dos gases de efeito de estufa e existem estudos mais recentes que apontam para valores muito superiores que poderão atingir os 50%.
Quanto às questões de bem-estar animal e para os que ainda não sentem empatia pela forma como os animais não-humanos são tratados, esta crise pode ser um abre-olhos pela forma como os próprios humanos estão a ser encarados. Das mega-explorações pecuárias aos call-centers, a tendência para tratar humanos e não-humanos como coisas que produzem segundo os sagrados critérios do lucro e da produtividade é evidente. A urgência de mudar as mentalidades que criam ou que aceitam estas aberrações torna-se gradualmente evidente, e o PAN tudo fará para contribuir para a sua alteração.
No que respeita aos nossos companheiros não-humanos, que gostamos de considerar como membros das nossas famílias, colaboraremos com todas as entidades e partidos para que se estabeleça em Lisboa uma nova consciência quanto à forma como lidamos com estes nossos companheiros de viagem planetária, tentando sensibilizar todos para a urgência desta tarefa.
O Grupo Municipal do PAN compromete-se durante o presente mandato, e dentro das suas capacidades autárquicas, a elaborar propostas concretas e iniciativas, que tentará que sejam aceites pelos vários deputados aqui presentes no sentido de as tornar mais abrangentes, tendo em vista um processo de empoderamento dos cidadãos em geral, e a melhoria da consciência geral da Cidade no que respeita a todas as questões aqui referidas.
Pelo bem de tudo e de todos,
O Grupo Municipal do Partido Pelos Animais e Pela Natureza
Miguel Santos