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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
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Voto 114/13 (PEV) – Voto de Pesar “Pelo arquitecto Bartolomeu Costa Cabral”
30-04-2024

Agendado: 114ª Reunião, 30 de Abril de 2024
Debatido e Votado: 114ª Reunião, 30 de Abril de 2024
Resultado da Votação: APROVADO por UNANIMIDADE

“A Arquitectura é sobretudo funcional; a estética vem depois” (BCC)
Nascido em Lisboa, a 8 de Fevereiro de 1929, faleceu no passado dia 20 de Abril, no Hospital de São José onde se encontrava internado, aos 95 anos, Bartolomeu d’Albuquerque da Costa Cabral, considerado uma das figuras marcantes da viragem do movimento moderno da arquitectura portuguesa.

Diplomado na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL), após preparação para exame de admissão a Desenho no ateliê de Frederico George (1915-1994), viria mais tarde a exercer actividade docente na ESBAL entre 1968 e 1970, a convite de Nuno Portas, leccionando ‘Composição de Arquitectura 2’ aos estudantes de 4º ano. Entretanto, estagiara no Centre Scientifique et Technique du Batîment, Paris, 1962, no Greater London Council, Londres, 1965, e no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa, 1967.

Iniciou actividade em 1956 no Gabinete de Urbanização do Plano Director de Lisboa (até 1959) e foi colaborador no ateliê de Nuno Teotónio Pereira (1950-1958). Entre 1959 e 1968, desenvolve diversos estudos sobre habitação social para o Gabinete Técnico de Habitação, para a Federação das Caixas de Previdência / habitações económicas (c. 1960-1963), no GPA - Gabinete de Planeamento e Arquitectura (1969-1996), na Câmara Municipal de Lisboa e Fundo de Fomento da Habitação (actual IHRU).

Desde 1973, no seu ateliê pessoal ou em associação com outros colegas, continuou a trabalhar em planeamento e a desenvolver inúmeros projectos de arquitectura em diversas localidades do País, com particular incidência nos domínios da habitação e do ensino. Da sua obra destacam-se os numerosos edifícios ligados ao ensino, de escolas primárias a universidades, em Lisboa, Sintra, Tomar, Covilhã ou Guimarães, bem como à habitação social, em colaboração com Teotónio Pereira e Nuno Portas (1958-1962).

Com prática continuada ao longo de mais de seis décadas, a sua produção contemplava um conjunto de mais de duas centenas de projectos, da sua obra ou em co-autoria. Das suas edificações em Lisboa, destacam-se o Bloco das Águas Livres (1953-1956) com Nuno Teotónio Pereira, o conjunto habitacional de 600 fogos em Olivais Sul, em co-autoria com Nuno Portas, e os 300 fogos no Bairro de Olivais Sul, de novo em co-autoria com Nuno Teotónio Pereira, ambos entre 1960 e 1963.

Estas construções reflectem o estudo aprofundado sobre o tema da habitação social que desenvolveu neste período, propondo um novo desenho urbano, com espaços públicos e tipologias dinâmicas de implantação de edifícios. O seu Relatório “Formas de agrupamento em habitação”, de 1968, apresentou uma investigação detalhada sobre as tipologias habitacionais e a escala urbana, tendo por objectivo satisfazer as necessidades dos moradores.

Em nome próprio, destacam-se os projetos do Grupo Escolar e Balneário do Castelo (1959-1972), do edifício da EPUL no Martim Moniz (1973-1984), a Casa na Rua da Verónica (1973-1975), a intervenção no Bairro do Pego Longo (1976) ou a mais recente Casa em Taipa (2004-2006). No âmbito do GPA, vários projectos de equipamentos universitários para as universidades da Beira Interior na Covilhã (1972-2003) e do Minho em Guimarães (1983-1991), ou para os institutos politécnicos de Bragança (1982-1996) e de Santarém (1990-1995). Incluem-se ainda planos de urbanização para a Falagueira e Almada, e o edifício-sede da Sociedade Portuguesa de Autores (1971-1975) em Lisboa, em co-autoria com Maurício de Vasconcellos. Projectou a Estação do Metropolitano da Quinta das Conchas (1998-2002).
A sua noção de cidade, distante de um somatório de unidades estanques, valeu-lhe um lugar singular na arquitectura portuguesa, traduzido no título escolhido para a exposição que assinalou o seu trabalho em 2019 “A ética das coisas”. A editora Circo de Ideias publicou uma edição monográfica onde são apresentadas 18 obras projectadas entre 1960 e 2012 por Bartolomeu Costa Cabral, numa selecção que pretendeu ilustrar o seu percurso singular pela cultura arquitectónica portuguesa.

Foi membro da Direcção do Sindicato Nacional dos Arquitectos (1960-1965) e do seu Conselho Disciplinar (1969-1971), tendo integrado a Direcção da Secção Portuguesa da União Internacional de Arquitectos.

Recebeu o 2º Prémio de Arquitectura, II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, 1961 (em associação com Nuno Teotónio Pereira), o Prémio anual de arquitectura Raul Lino (Agência da CGD, em Sintra, de 1978), o Prémio Eugénio dos Santos (também com Nuno Teotónio Pereira) pela remodelação do Teatro Taborda, em Lisboa, o 2º Prémio no Concurso limitado ‘Estudo recuperação da zona costeira entre Boca do Inferno e Miradouro da Guia’ (1985), e o Prémio AICA/MC/Millennium bcp de Arquitectura de 2019, em que o júri valorizou a sua ‘atitude ética’, destacando-o como “autor de uma arquitectura simples, despojada, preocupada com a integração na paisagem, o uso de materiais naturais e a comunidade”.

Foi-lhe atribuída uma Menção Honrosa, Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura, em 2009, pela habitação individual na Travessa da Oliveira, em Lisboa. Em 2011 a Ordem dos Arquitectos realizou-lhe uma homenagem por ocasião do Dia Nacional do Arquitecto e, em 2019, por iniciativa da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos, o Convento de Cristo em Tomar acolheu a exposição ‘A Ética das Coisas - Bartolomeu Costa Cabral 1953-2012’, onde foi apresentada uma expressiva parte da sua obra.

Aos 87 anos reconhecia: “Acho que tive bastante sorte com o meu percurso profissional… fiz bastantes coisas, trabalhei toda a vida e ainda estou a trabalhar”. (IN Branca - Revista de Arquitetura da Universidade da Beira Interior).
Em 8 de Fevereiro de 2022 foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes:

1 - Manifestar a sua consternação e profundo pesar pelo falecimento do arquitecto Bartolomeu Costa Cabral.
2 - Prestar as mais sentidas condolências à família e amigos, guardando um minuto de silêncio em sua memória.

Mais delibera ainda:

- Remeter o presente voto de pesar à Presidência da República, ao Ministério da Cultura, à Direcção-Geral das Artes, à Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, à Sociedade Nacional de Belas Artes, à AICA Portugal - Associação Internacional de Críticos de Arte, à Ordem dos Arquitectos e, por seu intermédio, à família enlutada, à Fundação da Casa de Mateus, ao SINTARQ - Sindicato Nacional dos Arquitectos, à CML e todos os seus vereadores.

Assembleia Municipal de Lisboa, 30 de Abril de 2024
O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes

Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20240430 Voto de Pesar Pelo arquitecto Bartolomeu Costa Cabral215 Kb