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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
A política editorial desta página é da inteira responsabilidade do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
Voto 060/07 - Saudação - “No centenário de Laura Vaz Lopes”
07-03-2023

Agendado: 60ª reunião, 7 de Março 2023
Debatido e votado: 60ª reunião, 7 de Março 2023
Resultado da Votação: APROVADA por UNANIMIDADE

‘Lidar com a massa humana é apaixonante!’

Laura Vaz Lopes nascida em Lisboa a 29 de Janeiro de 1923 onde vive, é oriunda de uma família operária, sendo filha de Edmundo Evaristo Loureiro Lopes e Natércia Vaz Lopes.

Em Outubro de 1965, ingressou como docente na Escola Técnica de Emídio Navarro em Almada. Foi demitida no ano seguinte, por motivos políticos, designadamente por ter subscrito a apresentação da candidatura da oposição democrática à Presidência da República do Prof. Ruy Luís Gomes e por ter participado na sua campanha eleitoral. Em 1967, terminou a sua licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e inicia o seu estágio em advocacia. Exerceu a profissão de advogada durante 17 anos, de 1967 a 1984, dedicando-se ao Direito Criminal e de Família, designadamente no campo da delinquência juvenil e feminina. Foi advogada de presos políticos.

Viveu em Paris nos anos de 1973 e 1974, onde se juntou à Comissão de Paz que foi o embrião do CPPC. No CPPC foi membro da Presidência desde 1976. Na década de 80 do século passado, criou com outras três mulheres a Comissão de Desarmamento do CPPC. Estava em França quando se deu o 25 de Abril, Veio a Portugal participar nos festejos do 1º de Maio, regressando definitivamente no início de Novembro desse ano.

Foi membro da Associação Feminina Portuguesa para a Paz de 1950 até ao seu encerramento pela PIDE em 1953. Foi uma das fundadoras do Movimento Democrático de Mulheres, tornando-se sua dirigente e membro do seu Conselho Nacional desde o 1º Congresso em 1980.

Integrou a delegação do MDM no 3º Congresso da Oposição Democrática realizado em Aveiro no ano de 1973 onde proferiu uma comunicação sobre a situação jurídica da mulher em Portugal. Em reconhecimento pela defesa dos direitos das mulheres, o Conselho Nacional do MDM decidiu atribuir-lhe a Distinção de Honra do MDM em 1997, que lhe foi entregue em 26 de Outubro desse ano na Sociedade Filarmónica Incrível Almadense.

Em 1978, requereu a sua reintegração no ensino, a qual lhe seria concedida em Março de 1981. Durante alguns anos, ainda conseguiu conciliar a actividade da advocacia com a carreira docente, mas face às exigências de ambas e da sua idade, decidiu optar pelo ensino e suspender a sua inscrição na Ordem dos Advogados. Leccionou diversas disciplinas no ensino secundário (Noções de Comércio, Direito comercial, Técnica de Vendas, Economia, Noções de Administração Pública, Relações Públicas e Introdução à Política) em Almada, Marinha Grande, Queluz e Lisboa.

Quando a magistratura era vedada às mulheres, Laura Lopes sublinhava, a esse propósito: “A magistratura precisa de mulheres”. Teve também uma participação cívica e política na Assembleia de Freguesia da Penha de França entre 1979 e 1982, em representação da APU. Pertenceu igualmente ao Movimento Português dos Educadores para a Paz, desde a sua constituição em 1981. Foi sócia da Associação Portuguesa dos Juristas Democratas, associação que tem a sua raiz no combate pela democracia e a paz.

A sua actividade estendeu-se também à publicação de vários artigos em jornais e revistas, destacando-se a sua colaboração na Revista Modas e Bordados, Vida Mundial, Revista Mulheres, Diário de Lisboa e Notícias da Amadora. O seu livro ‘A Mulher, a Família e a Lei’ editado em 1977 pela Seara Nova, reúne alguns dos artigos publicados antes do 25 de Abril quando a Censura exercia uma verdadeira repressão sobre o que publicava: “Cortavam, acrescentavam ou substituíam palavras e frases, modificavam a pontuação; atrasavam a publicação dos artigos, abriam cartas das leitoras a mim dirigidas”.

Laura Lopes, que participou em vários congressos, conferências, assembleias e encontros em diversos países do mundo, tem sido uma referência na luta antifascista e pela democracia, pelos direitos das mulheres e pela paz, em Portugal e no Mundo.

“Lidar com a massa humana é apaixonante! Conhecer os seres humanos, tentar compreender os seus problemas, as suas razões e as causas e os seus modos de actuar, tentar ajudá-los. Muito especialmente quando jovens. Não foi por acaso que advoguei no campo da delinquência juvenil”.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes:
1 - Saudar o centenário da mulher, democrata e antifascista Laura Vaz Lopes.
2 - Saudar as Associações e todos os que, em particular as mulheres, ao longo de décadas se têm empenhado na luta pela paz, a democracia e a igualdade de género.
Mais delibera ainda:
3 - Remeter o presente voto à Presidência da República, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, à Associação Portuguesa dos Juristas Democratas. ao MDM, ao CPPC e, por seu intermédio, a Laura Vaz Lopes, a todos os eleitos na Assembleia de Freguesia da Penha de França, à CML e a todos os seus vereadores.

Assembleia Municipal de Lisboa, 7 de Março de 2023
O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes
Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20230307 Saudação No centenário de Laura Lopes234 Kb