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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
A política editorial desta página é da inteira responsabilidade do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
Recomendação 049/02 - Bibliotecas Itinerantes da Rede BLX
15-12-2022

Agendado: 49ª reunião, 15 de Dezembro 2022
Debatido e votado: 49ª reunião, 15 de Dezembro 2022
Resultado da Votação: Ponto 1: APROVADO com abstenção de PSD, CDS, Aliança, MPT e PPM; Ponto 2: APROVADO com votos contra de PSD e Aliança e abstenção de CDS e PPM; Ponto 3: APROVADO com votos contra de PSD e e abstenção de CDS, Aliança e PPM

A Biblioteca Itinerante é herdeira das Bibliotecas de Jardim inauguradas em jardins na década de ’20 do século passado, como o da Estrela e do Campo Grande, compostas por um pequeno armário, com vários livros, que podiam ser lidos no local, ao ar livre.

De acordo com o Município de Lisboa, em 1953 o escritor Branquinho da Fonseca criou uma biblioteca ambulante (composta por um atrelado puxado pelo seu próprio carro), bem antes do surgimento das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), a partir de 1958. Ambas as iniciativas prosseguiam o intuito de fazer chegar os livros e o hábito de leitura a todas as pessoas, nomeadamente a algumas das zonas mais desfavorecidas.

Como Lisboa não fazia parte do itinerário da FCG, a CML inaugurou em 1961 o seu próprio Serviço de Bibliotecas Itinerantes, de modo a permitir um fácil acesso à cultura, e a prestar serviço de consulta e de empréstimo domiciliário, apoiadas por um técnico e um motorista, que percorriam Lisboa com o objectivo de “(...) alargar a todos os bairros a sua acção cultural, elevar o nível cultural e recrear”.

Inicialmente foram criadas duas Bibliotecas Itinerantes, com dois itinerários distintos e que estacionavam nos bairros mais populosos da cidade. Atendendo ao interesse que rapidamente despertou, foram adquiridas duas viaturas para estas bibliotecas, uma em 1962 e a outra em 1965, alargando para 48 o número de locais de estacionamento. Até há década passada foram regularmente mantidos dois percursos diferentes, estacionando em 13 locais, com rotação quinzenal, ou seja, regressando duas vezes por mês ao mesmo local.

Ao longo dos anos, a biblioteca foi actualizando o seu veículo que começou por ser uma carrinha Citroen HY 1500, substituída depois por uma moderna Iveco, onde uma equipa alargada e computadores ligados à rede, ajudavam a transportar a sua missão para a actualidade. A sua missão permaneceu centrada na ideia de ir ter com as pessoas, desde grupos com maiores dificuldades no acesso às bibliotecas, como hospitais, centros de detenção de jovens ou até o Estabelecimento Prisional da Polícia Judiciária, locais incluídos na sua rota diária.

A mobilidade destas carrinhas permitia-lhe, também, servir de extensão de apoio às actividades promovidas fora de portas pelas outras bibliotecas da Rede BLX. Mais de meio século decorrido, e até ao início do período pandémico, a Biblioteca Itinerante ficou reduzida a uma carrinha de 7 metros, equipada com estantes, bancos-gaveta, mesas dobráveis e extraíveis, computadores, Wi-Fi e balcão de atendimento.

No entanto, desde o surto pandémico que a página das Bibliotecas Itinerantes da Rede BLX passou a informar “Estamos a repensar a sua missão. A Biblioteca Itinerante vai mudar! Aguarde por mais notícias em breve”, e que a prestação deste serviço se encontra “Encerrada temporariamente”.

Apesar da existência de bibliotecas fixas e com acesso à Internet na capital, mantém-se toda a conveniência na reactivação da prestação deste serviço de proximidade, nomeadamente, viabilizando serviços de leitura em bairros mais desfavorecidos no acesso à cultura.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes, recomendar à Câmara Municipal de Lisboa que:
1 - Reavalie a pertinência da urgente reactivação dos serviços de acesso à leitura e de empréstimo domiciliário que as Bibliotecas Itinerantes vinham prestando a todos os cidadãos.
2 - Identifique quais os bairros mais prioritários, jardins públicos e proximidade de escolas, e eventualmente outras instituições como hospitais e/ou prisões, onde as viaturas das Bibliotecas Itinerantes possam funcionar com regularidade.
3 - Procure que, a par da prestação de serviços de leitura local e de empréstimo complementar à restante estrutura fixa da Rede BLX, seja também oferecido aos utilizadores acesso à Internet.
Mais delibera ainda:
4 - Enviar a presente deliberação à DGLAB - Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, à CML e todos os seus vereadores, à Divisão da Rede de Bibliotecas da CML e ao STML.

Assembleia Municipal de Lisboa, 13 de Dezembro de 2022
O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes
Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20221213 Recomendação Bibliotecas Itinerantes da Rede BLX254 Kb