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Voto de protesto pelo recrudescimento do antissemitismo
16-02-2021

Debatido e votado em 2 de Março de 2021
Aprovada por maioria com a abstenção do PCP.

Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo e particularmente na Europa, temos assistido ao recrudescimento do antissemitismo. Facto condenado e denunciado por personalidades com a relevância, por exemplo, do Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres.

Este preconceito e o consequente sentimento de ódio contra os judeus tem encontrado expressão em actos e em discursos de extremistas políticos ou fanáticos religiosos.

Nos Estados Unidos, segundo a Liga Antidifamação (ADL), no ano de 2019, registaram-se 2.107 casos, o número mais alto desde 1979. Com actos que vão desde ataques a sinagogas, a escolas judaicas, a profanação de cemitérios judaicos, ou à propagação de comentários antissemitas.

Na Europa, o relatório da European Union Agency for Fundamental Rights para o ano de 2020 assinala um aumento de actos antisemitas e de percepção e insegurança das comunidades judaicas.

É, por isso, particularmente preocupante a divulgação de mensagens nas redes sociais que, reproduzindo estereótipos de ódio, procuram instigar contra o povo judaico. Para mais, quando provêm de figuras públicas que, pelo seu passado, se considerariam insuspeitos no seu apego a valores democráticos.

Referimo-nos ao caso da divulgação de mensagens pelo Capitão de Abril, Sousa e Castro, portador da Ordem da Liberdade, que publicou a seguinte mensagem no twitter: "os judeus, como dominam a finança mundial, compraram e têm as vacinas que quiseram. É uma espécie de vingança histórica. E mais não digo antes que os bulldogs sionistas saltem".

Estas inaceitáveis declarações são de inequívoco conteúdo antissemita e já mereceram a condenação de diversas organizações judaicas nacionais e internacionais.

A cidade de Lisboa que, desde 2006, tem um memorial pelos milhares de judeus vítimas da intolerância e que se prepara para construir um Museu Judaico em Belém é a mesma cidade que recebeu Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional e deu nome à Escola Básica Sampaio Garrido, homenageando ambos os diplomatas que são recordados pela ajuda humanitária que prestaram aos judeus perseguidos pelo nazismo. Lisboa que nunca deixou de evocar os horrores do Holocausto, prestando homenagem aos seus milhões de vítimas, não pode agora ignorar nem deixar passar em claro este ressurgimento de fenómenos de antissemitismo.

Assim, a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida a 2 de Março de 2021,

Manifesta a sua preocupação pelo recrudescimento do fenómeno de antissemitismo, condenando, sem complacência, todos os actos e mensagens que lhe estejam associados.

Lisboa, 11 de Fevereiro de 2021

O Grupo Municipal do CDS-PP
Diogo Moura