Assembleia Municipal de Lisboa
Voto 062/08 (PCP) - Pesar pelo falecimento de Manuel Graça Dias
26-03-2019

Agendado: 26 de Março de 2019 nova versão
Debatido e votado: 26 de Março de 2019
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade
Passou a Deliberação: 127/AML/2019
Publicação em BM: 2º Suplemento ao BM nº 1316, de 9 de Maio.

Voto de pesar

Faleceu no passado dia 24 de Março, Manuel Carlos Sanches da Graça Dias, aos 65 anos.

Manuel Graça Dias nasceu em Lisboa a 11 de Abril de 1953, tendo vivido em Moçambique, e licenciou-se em arquitectura em 1977 pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, iniciando-se, profissionalmente, no ano seguinte, como colaborador do arquitecto Manuel Vicente, em Macau.
A actividade docente foi uma constante ao longo da sua carreira profissional, como assistente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (1985-1996) e professor auxiliar da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (1997-2015), onde se doutorou com a tese "Depois da cidade viária" (2009). Era actualmente professor associado da mesma faculdade e professor catedrático convidado do Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa, desde 1998, que também dirigiu, entre 2000 e 2004.
Foi um dos mais eclécticos arquitectos portugueses, o que se reflecte na sua obra, muita dela feita a par com Egas José Vieira, com quem partilhava o atelier Contemporânea: a sede da Associação dos Arquitectos Portugueses, a Escola de Música, Artes e Ofícios de Chaves, a requalificação do Teatro Luís de Camões, em Lisboa, com a designação de LU.CA, especialmente direccionado para a programação infanto-juvenil.
A casa que recuperou em 1979, no bairro lisboeta da Graça, com António Marques Miguel, recebeu a Menção Honrosa Valmor/1983. Obteve, ainda, o 1.º lugar no concurso para o Pavilhão de Portugal na Expo'92 em Sevilha, no sul de Espanha, bem como o 1.º lugar no concurso para a construção da nova sede da Ordem dos Arquitectos, nos antigos Banhos de S. Paulo, ambos com Egas José Vieira.
Manuel Graça Dias e Egas José Vieira ganharam o Prémio AICA/Ministério da Cultura de Arquitectura, de 1999, pelo conjunto da sua obra construída.
Manuel Graça Dias tem trabalhos construídos em Almada, Braga, Chaves, Guimarães, Lisboa, Porto, Vila Real, Macau, Madrid, Sevilha e Frankfurt, foi co-autor do "Estudo de Reconversão Urbana do Estaleiro da Lisnave", em Cacilhas, no concelho de Almada.
Concebeu o Teatro Municipal de Almada, o Teatro Azul (1998-2005), com Egas José Vieira e Gonçalo Afonso Dias, foi nomeado para o Prémio Secil/2007, para o Prémio Mies van der Rohe/2007 e para o Prémio Aga Khan, 2008/2010.
Em 2006, Manuel Graça Dias foi agraciado, pelo então Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, com a Ordem do Infante D. Henrique (grau comendador).
Foi um transbordante comunicador, aproximando de um público vasto os temas da arquitectura, do urbanismo e da cidade. Autor de crónicas e artigos de crítica e divulgação da arquitectura em jornais e revistas do Jornal de Arquitectos - do qual foi director entre 2009 e 2012 - até ao semanário Expresso (2001/2006). Graça Dias foi autor do programa quinzenal "Ver Artes/Arquitectura" na RTP2 entre 1992 e 1996 e foi colaborador da rádio TSF, para a qual criou o inesquecível programa ‘Ao Volante Pela Cidade’.
Assumiu a direcção da Ordem dos Arquitectos de 2000 a 2004 e, entre outras funções, foi comissário da representação portuguesa à VIII Bienal de Arquitectura de São Paulo (2009); com Ana Vaz Milheiro, da exposição "Sul África/Brasil", para a Trienal de Lisboa/2010, tendo sido ainda Presidente da Secção Portuguesa da Association Internacional des Critiques d'Art, SP/AICA (2008-2012).
Foi autor de vários livros de crítica ou divulgação de temas de arquitectura, entre eles, "Macau Glória: A glória do vulgar", com Manuel Vicente e Helena Rezende (1991) "Vida Moderna" (1992), "Ao volante pela cidade: 10 entrevistas de arquitectura" (1999), "O homem que gostava de cidades" (2001), "Arte, arquitectura e Cidade: A propósito de 'Lisboa Monumental' de Fialho de Almeida" (2011), e "Aldeia da Estrela: Sociologia e arquitectura ao serviço de uma população", com Rodrigo Rosa e Egas José Vieira, (2015), entre outros.
O Grupo Municipal do PCP propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa, na sua sessão de 26 de Março de 2019, delibere:

a) Manifestar o seu profundo pesar pelo falecimento de Manuel Carlos Sanches da Graça Dias, guardando um minuto de silêncio;

b) Apresentar as suas mais sentidas condolências e a solidariedade perante a dolorosa perda à sua Família.

O Representante do Grupo Municipal do PCP

- António Modesto Navarro –

Documentos
Documento em formato application/pdf Voto 062/08 (PCP)219 Kb
Documento em formato application/pdf 2º Suplemento ao BM nº 1316, de 9 de Maio.97 Kb