Assembleia Municipal de Lisboa
Voto 062/06 (BE) - Pesar pelo falecimento de Manuel Graça Dias
26-03-2019

Agendado: 26 de Março de 2019 nova versão
Debatido e votado: 26 de Março de 2019
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade
Passou a Deliberação: 126/AML/2019
Publicação em BM: 2º Suplemento ao BM nº 1316, de 9 de Maio.

VOTO DE PESAR nova versão

Pelo falecimento do Arquitecto Manuel Graça Dias

Manuel Carlos Sanches da Graça Dias nasceu em Lisboa, a 11 de abril de 1953, tendo vivido em Moçambique, durante a sua infância.
Formou-se em 1977, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL), no mesmo ano em que Charles Jencks anunciou o fim do Movimento Moderno, com a obra The Language of Post Modern Architecture.
É durante os seus anos de formação na ESBAL, onde está quando se dá a revolução de Abril, que conhece Manuel Vicente, o professor e mestre que lhe oferece o seu primeiro emprego e uma oportunidade para trabalhar em Macau, entre 1978 e 1981. Depois, regressa a Portugal e dedica-se a vários projectos no norte do país, realizando aí várias obras assinaláveis.
O cosmopolitismo e a cor, aspectos tantas vezes sublinhados como o traço original da sua arte, estão também presentes na cidade de Lisboa, nomeadamente nos projectos que Manuel Graça Dias desenvolveu durante as décadas de 80 e 90 do século passado, como o restaurante Casanostra, no Bairro Alto, ou a loja Ana Salazar na Rua do Carmo, ou, já em associação com o Arquitecto Egas José Vieira, a sede da Associação dos Arquitectos Portugueses. Também recentemente, o arquitecto esteve envolvido na requalificação do Teatro Lu.CA (2018), em Lisboa.
Além destes projectos, relembramos ainda o Teatro Municipal de Almada (2005), a Escola de Música, Artes e Ofícios de Chaves (2004-2008) e o emblemático Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Sevilha (1992), um projecto já em parceria com Egas José Vieira, no qual sintetizou as linhas do pós-modernismo português, combinando, sem hierarquias, geometrias eruditas e grafismos comunicantes, elementos arquitectónicos e decorativos.
Manuel Graça Dias faleceu no passado domingo à noite, em Lisboa. Tinha 65 anos.
Deixou-nos um legado importante que será referencial na história da arquitectura portuguesa e exemplo do que pode ser uma linguagem artística própria que preza o exercício da liberdade como forma de erudição.

Assim, a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida a 26 de março de 2019, ao abrigo do artigo 25.º, n.º 2, alínea k) do Anexo I da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, delibera:

1. Manifestar profunda consternação pelo falecimento do Arquitecto Manuel Graça Dias, exprimindo aos seus familiares e amigos o seu sentido pesar, fazendo um minuto de silêncio em sua homenagem.

Lisboa, 26 de março de 2019
As Deputadas e os Deputados Municipais eleitos pelo Bloco de Esquerda,

Isabel Pires
Ricardo Moreira
Tiago Ivo Cruz

Documentos
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Documento em formato application/pdf 2º Suplemento ao BM nº 1316, de 9 de Maio.100 Kb