Quarteirão da Portugália - Audição pública

Aberta à participação dos cidadãos, 18 de julho, 17.30, no Fórum Lisboa.

Assembleia Municipal de Lisboa
Voto 062/03 (PPM) - Pesar pelo falecimento de Manuel Graça Dias
26-03-2019

Agendado: 26 de Março de 2019
Debatido e votado: 26 de Março de 2019
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade
Passou a Deliberação: 123/AML/2019
Publicação em BM: 2º Suplemento ao BM nº 1316, de 9 de Maio.

VOTO DE PESAR MANUEL GRAÇA DIAS

Manuel Graça Dias, um dos grandes nomes da arquitetura portuguesa, morreu este domingo 25 de março à noite no hospital da CUF, em Lisboa, ao lutar contra o cancro do pâncreas. Partiu deixando a herança de uma vida dedicada à divulgação da arquitetura.
Nasceu em Lisboa e licenciou-se em arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1977, iniciando-se profissionalmente no ano seguinte, como colaborador do arquitecto Manuel Vicente, em Macau.
Entre 1985 e 1996 foi assistente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e de 1997 a 2015 foi professor auxiliar da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, instituição onde se doutorou com a tese “Depois da cidade viária”, em 2009. Actualmente, dava aulas como professor associado da mesma faculdade e professor catedrático convidado do Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa, desde 1998, que também dirigiu, entre 2000 a 2004.
Trabalhou grande parte da sua vida profissional com o Arquitecto Egas José Vieira, formando uma dupla, quando muitos arquitectos da sua geração não prescindiram de trabalhar exclusivamente em nome próprio. O seu gosto pelo trabalho em equipa e generosidade, características fundamentais da sua personalidade, fizeram dele um professor recordado pelos alunos da Faculdade de Arquitectura do Porto e da Universidade Autónoma de Lisboa.
Em 1990, esta dupla de arquitetos abriu o atelier Contemporânea em Lisboa, situado na rua Borges Carneiro, de onde saíram obras como a sede da Associação dos Arquitectos Portugueses (1991), em Lisboa, o Teatro Municipal de Almada (2005), a Escola de Música, Artes e Ofícios de Chaves (2004-2008) e, mais recentemente, a requalificação do Teatro Luís de Camões na Calçada da Ajuda (2018), também em Lisboa.
Graça Dias e o atelier Contemporânea utilizavam nas suas obras a cor de forma pouco vulgar, como são exemplo o Teatro Azul em Almada, a pintura da pequena fachada do Teatro Luís de Camões de vermelho forte, e a introdução do verde-água tropical no restaurante Casanostra, porque, segundo o arquitecto, a cor também é matéria da arquitectura. O mesmo sublinhava, no entanto, que a cor não servia para colorir os edifícios. “Cada arquitectura tem a sua razão de pintura; o que pouco tem a ver com as cores dessa pintura”, escreveu num texto intitulado Cores, reunido no livro de crónicas “Vida Moderna”, publicado em 1992.
Obteve, ainda, o 1.º lugar no concurso para o Pavilhão de Portugal na Expo’92 em Sevilha, no sul de Espanha, e ainda o 1.º lugar no concurso para a construção da nova sede da Ordem dos Arquitectos, nos antigos Banhos de S. Paulo, ambos em parceria com Egas José Vieira.
Foi autor do programa quinzenal de televisão “Ver Artes/Arquitetura”, de 1992 a 1996. Escreveu regularmente em jornais generalistas, como O Independente ou o Expresso, mas também em revistas especializadas como a Arquitectura Portuguesa ou o Jornal dos Arquictetos, onde exerceu o cargo de diretor por duas vezes.
Assumiu a direcção da Ordem dos Arquitectos de 2000 a 2004 e, entre outras funções, foi comissário da representação portuguesa à VIII Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2009, da exposição “Sul África/Brasil”, para a Trienal de Lisboa/2010, tendo sido ainda Presidente da Secção Portuguesa da Association Internacional des Critiques d’Art, SP/AICA (2008-2012).
Em 2006, o arquitecto Manuel Graça Dias foi homenageado por S. Exª o Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, um louvor pelas obras de arquitectura realizadas, à critica da arquitectura nos mais variados meios de comunicação, mas também, de uma forma muito especial, ao método de ensino que aplicava.

Assim o Grupo Municipal do PPM-Partido Popular Monárquico propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida em sessão plenária no dia 26 de Março de 2019, manifeste o seu mais profundo pesar, guardando um minuto de silêncio e dando conhecimento à família.

Lisboa, 26 de Março de 2019

A Deputada do Grupo Municipal do PPM,
Aline Hall de Beuvink

Documentos
Documento em formato application/pdf Voto 062/03 (PPM)134 Kb
Documento em formato application/pdf 2º Suplemento ao BM nº 1316, de 9 de Maio.100 Kb