Voto 052/02 (PAN) - Pelo falecimento de Kim Bok-dong, ex-vítima de escravatura sexual em tempo de guerra
Voto de Pesar - Por Kim Bok-dong, ex-vítima de escravatura sexual em tempo de guerra -
Faleceu na passada segunda-feira, dia 29 de janeiro, aos 92 anos, Kim Bok-dong, vítima de escravatura sexual durante a II Guerra Mundial e uma figura simbólica na luta pelos direitos das mulheres, sobretudo das vítimas de violência sexual em tempo de conflito armado.
Nascida em 1926, Kim Bok-dong, sul coreana, foi retirada à sua família em 1940 com apenas 14 anos, quando o Japão ocupava o seu país, com o pretexto de ser necessária mão de obra para trabalhar nas fábricas. Contudo, tal como milhares de meninas e mulheres, Kim foi vítima de escravatura sexual. Estas meninas e mulheres eram, sem decoro, denominadas pelos japoneses como “mulheres de conforto”.
Quando regressou ao seu país, no final da guerra em 1945, escondeu, como a maioria o fazia e por vergonha, a sua vida de sofrimento, após ter sido “transportada” e abusada na China, em Hong Kong, na Malásia, Indonésia e Singapura.
Em 1992, um ano após outra vítima ter dado o seu testemunho, Kim Bok-dong tornou-se a segunda mulher a dar voz ao sofrimento de milhares de vítimas. Desde aí, até à sua morte, não mais parou. De acordo com as suas palavras, que partilhou com o Mundo na procura de sensibilizar a comunidade internacional para a violação do direitos humanos das mulheres e meninas vítimas da exploração sexual: “Nos dias de semana eu tinha de receber 15 soldados por dia. Aos sábados e nos domingos, eram mais de 50.“
Os historiadores estimam que, só nestes anos de ocupação da Coreia pelo Japão (entre 1910-1945), tenham existido entre 200 e 300 mil meninas e mulheres vítimas de escravatura sexual.
Em 1996, um relatório dos Direitos Humanos das Nações Unidas reconheceu que estas mulheres foram “escravas sexuais militares”.
Este é um momento particularmente triste, pois faleceu uma das maiores ativistas dos direitos das vítimas de escravatura sexual em tempo de guerra. Sabemos que esta luta não está em nada ganha, pois embora as leis internacionais e as convenções relativas a direitos humanos proíbam determinantemente a violência sexual, esta continua a prevalecer nos conflitos armados contemporâneos.
Poderíamos dizer, nas palavras de Martin Luther King que “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”. Mas Portugal e Lisboa não são, infelizmente, alheios a este flagelo que destrói a vida de tantas meninas e mulheres ainda hoje vítimas de violência sexual, violando os seus direitos humanos.
Assim, o Grupo Municipal do PAN propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa, na sua Sessão Extraordinária de 5 de fevereiro de 2019, delibere:
1. Manifestar o seu profundo pesar pelo falecimento da Sr.ª Kim Bok-dong e pelo sofrimento de todas as meninas e meninos, mulheres e homens, vítimas de violência sexual, guardando um minuto de silêncio em sua memória e homenagem;
2. Manifestar o seu profundo pesar e repúdio por todos os atos de violência sexual perpetrados durante os conflitos armados, no passado, no presente e no futuro.
Lisboa, 31 de janeiro de 2019.
O Grupo Municipal
do Pessoas - Animais – Natureza
Miguel Santos
Inês de Sousa Real