Assembleia Municipal de Lisboa
Voto de pesar 07/103 (PS) - Francisco Nicholson
19-04-2016

Agendado: 103ª reunião, 19 de Abril de 2016
Debatido e votado: 19 de Abril de 2016
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade
Passou a Deliberação: 102/AML/2016
Publicação em BM: 2º Suplemento ao BM nº 1160

PELO FALECIMENTO DE FRANCISCO NICHOLSON
Faleceu, no passado dia 12 de Abril, Francisco Nicholson, grande ator, argumentista televisivo, dramaturgo e encenador Português.
Nascido a 26 de Junho de 1938 no seio de uma família ligada às artes, Francisco Nicholson começou muito jovem, apenas com 14 anos, a fazer teatro no antigo Liceu Camões, sob a direção do encenador e poeta António Manuel Couto Viana.
Depois de ter estudado em Paris, onde frequentou a Academia Charles Dullin, do Théatre Nacional Populaire ao lado de grandes nomes do Teatro francês, Francisco Nicholson estreou-se, profissionalmente, como ator e autor, com a peça infantil "Misterioso Até Mais Não", no Teatro do Gerifalto.
Fez parte dos elencos da Companhia Nacional de Teatro e do Teatro Estúdio de Lisboa onde representou grandes textos da dramaturgia mundial, de autores como Strindberg, Kleist. Bernard Shaw, Arnold Wesker, Davis Storey, Apollinaire, e outros.
Foi no Teatro ABC que Francisco Nicholson se popularizou com o teatro de revista, onde se estreou com a peça "O gesto é tudo" ao lado de Eugénio Salvador e Camilo de Oliveira, mas foi com "Gente nova em bikini" que se afirmou como autor, ator e encenador de revista. Após o 25 de Abril de 1974, juntamente com outros grandes nomes do teatro nacional ajudou a fundar o Teatro Adoque, na zona do Martim Moniz, em Lisboa.
Na televisão deu-se a conhecer com o programa Riso e Ritmo (1964) tendo sido o autor de várias novelas, nomeadamente de Vila Faia, a primavera telenovela portuguesa, e várias séries como Origens (1983), Cinzas (1992), Os Lobos (1998), Ajuste de Contas (2000), Ganância (2001), O Olhar da Serpente (2002), entre outras.
Autor de algumas dezenas de espetáculos, quase sempre encenados e dirigidos por si próprio, Francisco Nicholson foi também um dos autores da canção "Oração" com que António Calvário venceu o primeiro Grande Prémio TV da Canção.
No cinema, assinou os guiões dos filmes Operação Dinamite (1967) e Bonança & Cª 1969) de Pedro Martins.
Em 2014 escreveu o seu primeiro romance "Os mortos não dão autógrafos", que dedicou à mulher, a atriz e bailarina Magda Cardoso.
Francisco Nicholson foi distinguido com a "medalha de ouro de mérito cultural" atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa e também foi galardoado pela autarquia de Oeiras. Homem de inúmeros talentos mas também dotado de uma sensibilidade e dimensão humana notáveis, Francisco Nicholson gostava de citar António Machado, poeta espanhol dizendo que "O caminho faz-se caminhando".
Portugal está mais pobre com o desaparecimento de Francisco Nicholson, indiscutivelmente um grande vulto da cultura Portuguesa.
Em homenagem à memória de Francisco Nicholson, os Deputados do Grupo Municipal do Partido Socialista propõem que a Assembleia Municipal de Lisboa vote a expressão do seu falecimento, dando dele conhecimento à sua Família e guardando um minuto de silêncio.
Lisboa, 18 de Abril 2016

Os Deputados do Grupo Municipal do Partido Socialista,

José Leitão
Simonetta Luz Afonso
Pedro Cegonho

Documentos
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