Assembleia Municipal de Lisboa
Voto de pesar 02/061 (PEV) - Herberto Hélder
24-03-2015

Agendado: 61ª reunião, 24 de Março de 2015
Debatido e votado: 24 de Março de 2015
Resultado da Votação: Aprovado por Unanimidade e aclamação
Consultar voto em PDF anexo
Passou a Deliberação: 56/AML/2015
Publicação em BM: 3.º Supl. ao BM 1101

"Herberto Hélder"
Faleceu ontem o poeta e ficcionista Herberto Hélder, de seu nome completo Herberto Hélder Luís Bernardes de Oliveira. Nascera a 23 de Novembro de 1930, no Funchal, tendo vindo inicialmente para Lisboa em 1946. Para além de ser um dos mais originais da língua portuguesa, era considerado um poeta central da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, situando-se a sua escrita no âmbito de um surrealismo tardio.
Em 1954, após a publicação do seu primeiro poema em Coimbra, regressa à Madeira onde começa por desempenhar funções como meteorologista. Durante esse período trabalha ainda como propagandista de produtos farmacêuticos e redactor de publicidade, vivendo com rendimentos baixos. Três anos mais tarde, em 1958, publica o seu primeiro livro "O Amor em Visita". Durante os anos que se seguiram vive em França, Holanda e Bélgica, países nos quais exerce profissões pobres e marginais. Repatriado em 1960, torna-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Homem de vários ofícios, foi também jornalista, tradutor e apresentador de programas de rádio.
Em Lisboa frequentava o círculo modernista do Café Gelo, no Rossio, onde privava com personalidades como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, António José Forte, João Vieira ou Hélder Macedo. Colaborou em diversas publicações, como Graal e Pirâmide. Co-organizou os cadernos antológicos 1 e 2 de Poesia Experimental, marco histórico da poesia portuguesa. Em 1968 publica "Apresentação do Rosto" que seria suspenso pela censura. A sua poesia integra a herança do surrealismo, de Rimbaud e dos Contos de Maldoror de Lautréamont.
A sua última obra "A Morte Sem Mestre" foi publicada em 2014, um ano depois de "Servidões". Entre as peculiaridades da sua vasta obra está o facto de os seus livros terem apenas uma edição. Em 1994 foi o vencedor do Prémio Pessoa, tendo recusado a distinção.
Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera:
- prestar um minuto de silêncio e enviar condolências à família do poeta;
- recomendar à Câmara Municipal de Lisboa que atribua uma indicação toponímica na cidade com a designação de "Herberto Hélder - poeta".
Assembleia Municipal de Lisboa, 24 de Março de 2015
O Grupo Municipal de "Os Verdes"

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