Agendada: 8 de Maio de 2018
Debatida e votada: 8 de Maio de 2018
Resultado da Votação: Rejeitada com a seguinte votação: Contra: PS/ BE/ 8 IND - Favor: PSD/ PCP/ CDS-PP/ PAN/ PEV/ PPM - Abstenção: MPT
Ilusão Panorâmica -
Uma visão Dantesca no Horizonte em ano europeu do Património Cultural!
O Parque Florestal de Monsanto tem um vasto Património desconhecido da maioria dos munícipes de Lisboa.
A serra de Monsanto, devido à sua localização sobrelevada, à abundância de água fresca, à proximidade ao estuário do Tejo e ao Mar, ao coberto florestal rico, associado a solos com alguma fertilidade, foram fatores essenciais para que o Homem por aqui tenha vivido e deixado alguns vestígios dos períodos: Paleolítico, Neolítico, Idade do Bronze e até do Período da Romanização.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da Cidade retomaram a laboração de um significativo número de Pedreiras, algumas iniciadas na época romana: as brancas, de calcário, as pretas, de basalto e de calcário preto. Ainda hoje é possível encontrar antigos fornos de cal, estaleiros de carregamento, antigas construções de apoio, que permaneceram em exploração até meados do século XX, valores consideráveis da Arqueologia Industrial.
Monsanto também teve grande importância na construção de estruturas defensivas da cidade, onde se destacam o Campo Entrincheirado de Lisboa (1878), os Fortes-redutos circulares de Monsanto e do Alto do Duque, o Baluarte de Montes Claros, as 4 Lunetas, as portas de Queluz e a Estrada Militar de Circunvalação.
Durante o Estado Novo, a reflorestação do Parque liderada por Duarte Pacheco (1900-43) e pelo Arq. Keil do Amaral (1910-75), destacam-se construções de grande relevo Patrimonial: Viaduto Duarte Pacheco (Eng. Carmona), Restaurante Panorâmico (Arq. Chaves Costa), a entrada do Parque Infantil do Alvito (Arq. Keil Amaral), o Centro de Ténis de Monsanto (Arq. Keil Amaral).
Com uma vista privilegiada sobre a cidade, o edifício tem um reconhecido valor histórico e agora pode ser visitado por todos. A entrada é gratuita e os visitantes podem usufruir do espaço entre as 09h00 e as 19h00, de segunda a domingo. O edifício esteve a ser preparado para abrir ao público em condições de segurança, contudo ainda se encontra em estado de degradação. Apesar de ter havido pequenas reparações, como emparedar algumas zonas, reparar estruturas metálicas partidas e se ter colocado alguns gradeamentos, bem como se ter procedido à remoção de entulho, não foram suficientes!
O Panorâmico de Monsanto abriu as portas ao público, mas contínua sem condições para receber os visitantes. O imóvel encontra-se em acentuado estado de degradação:
- A zona do Miradouro do 1º Piso não tem vedação; escadas estreitíssimas, encontrando-se estas ainda em betão, com os ferros à vista. O acesso ao último piso não tem luz e na zona onde se encontram os degraus de mármore de acesso ao topo do miradouro, quando chove, cai água lá dentro, escorrendo pelos degraus, ficando o piso escorregadio sendo um perigo permanente para os visitantes.
Perante este cenário corre-se sérios riscos de acidente, colocando a vida dos visitantes em perigo.
- Também os painéis e murais de azulejos de Luís Dourdil e Manuela Madureira, que ostentam ainda o edifício se encontram todos grafitados. Sabendo nós que já se procedeu à sua limpeza, continuam no entanto a surgir grafitos. Terão de se encontrar alternativas para que fiquem devidamente protegidos, pois são património de todos nós de valor incalculável!
- Encontra-se um funcionário ao frio, sentado numa cadeira e com uma secretária em péssimas condições profissionais.
Para além de que, cada vez são menos os agentes de patrulha, agora da competência da Policia Municipal, de serviço ao Parque Florestal de Monsanto.
NÃO PODEMOS DEIXAR O NOSSO PATRIMÓNIO AO ABANDONO!
Comemora-se agora o Ano Europeu do Património Cultural e não queremos que a nossa identidade esteja completamente desprezada.
Assim, a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida em sessão ordinária a 9 de maio de 2018, delibera, ao abrigo do artigo 25.º, n.º 2 alíneas j) e k) da Lei nº 75/2013 de 12 de setembro que:
1- A Câmara Municipal de Lisboa na pessoa do Vereador do Pelouro do Ambiente, Estrutura Verde, Clima e Energia, seja notificado da presente Recomendação para que sejam tomadas medidas urgentes com vista a evitar danos gravosos para os visitantes.
2- Sejam dadas condições de trabalho ao único funcionário/Segurança que se encontra a trabalhar no Panorâmico.
3- Sejam reparadas imediatamente as zonas de perigo para os visitantes, na zona do Miradouro do 1º Piso, que não tem vedação; colocação de luz nos lugares onde não existe, reparar as escadas que ainda se encontram em betão, tapar
os ferros à vista e na zona onde se encontram os degraus de mármore de acesso a um dos topos do piso, reparar as zonas de infiltração por onde escorre e cai a água.
4- E sejam tomadas medidas urgentes para proteger os painéis de forma a preservar o Património de Portugal.
5- Seja atribuída mais vigilância com o intuito de serem feitas rondas para protegerem os equipamentos e o Parque Florestal de Monsanto.
As Deputadas e Deputados Municipais eleitos pelo PPD/PSD
Álvaro Carneiro, Ana Mateus, António Prôa, Carlos Barbosa, Fernando Braamcamp, Fernando Ribeiro Rosa, Francisco Domingues, Luís Newton, Mafalda Cambeta, Rodrigo Mello Gonçalves, Vasco Morgado, Virgínia Estorninho
| Recomendação 021/10 (PSD) | 163 Kb |