Assembleia Municipal de Lisboa
Recomendação 01/133 (PCP) – Contra a demolição do prédio dos anos 70 no Chiado
21-02-2017

Agendada: 133ª reunião, 21 de Fevereiro de 2017
Debatida e votada: 21 de Fevereiro de 2017
Resultado da Votação: Aprovada por Maioria com a seguinte votação: Favor: PS/ PSD/ PCP/ BE/ CDS-PP/ PEV/ MPT/ PAN/ PNPN/ 1 D.M. IND – Abstenção: 5 D.M. IND
Passou a Deliberação: 44/AML/2017
Publicação em BM: 1º Suplemento ao BM nº 1204

Recomendação
Contra a demolição do prédio dos anos 70 no Chiado

A comunicação social tem noticiado que existe a intenção do actual proprietário do edifício, sito no Largo Rafael Bordalo Pinheiro, tornejando com a Rua da Trindade de o demolir e que, apesar de ter sido emitido parecer desfavorável pela Estrutura Consultiva Residente, composta por técnicos municipais, cuja missão é vigiar o cumprimento do Plano Director Municipal, o Director Municipal de Urbanismo da CM de Lisboa emitiu parecer favorável à sua demolição.

A proprietária do edifício e do contíguo, que torneja para a Rua Nova da Trindade, é uma empresa de investimentos imobiliários, a Coporgest, uma empresa essa que já interveio em diversos edifícios naquela zona da cidade, e que quer demolir ambos os edifícios, exemplos de qualidade arquitectónica dos anos 70, da autoria de Diogo José de Mello e João Andrade e Sousa, e cujas fachadas se encontram revestidas por painéis de azulejos, todos diferentes entre si, com motivos geométricos azuis, amarelos e brancos, desenhados pelo ceramista António Vasconcelos Lapa, painéis que foram elogiados por especialistas como o artista plástico Eduardo Nery ou o Mestre Rafael Salinas Calado, primeiro director do Museu Nacional do Azulejo, para dar lugar a um edifício novo construído à semelhança do que seria um “edifício pombalino” em mais uma unidade hoteleira, o Lisbon Chiado Hotel.

Ao abrigo do argumento dos autores do actual projecto, que justificam “que o edifício, decorado com azulejos de António Vasconcelos Lapa, não é compatível com a envolvente” e ao invés de valorizar e proteger o que existe, a cidade confronta-se com mais uma apropriação abusiva do seu património edificado, para o substituir pelo pastiche de um estilo arquitectónico, no caso vertente o estilo pombalino.

O Grupo Municipal do PCP propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa na sua Sessão Ordinária do dia 21 de Fevereiro de 2017 delibere:

1. Manifestar repúdio com a decisão conhecida e manifestar-se contra a demolição do edifício em causa, propondo que o mesmo passe a constar da Lista de Bens da Carta Municipal do Património Edificado e Paisagístico do PDM de Lisboa, como Bens Imóveis de Interesse Municipal e outros bens culturais imóveis.

O Deputado Municipal do PCP

- António Modesto Navarro -

Documentos
Documento em formato application/pdf Recomendação 01/133 (PCP)57 Kb