Assembleia Municipal de Lisboa
Recomendação 05/041 (PS) — Largo Fernando Maurício
16-09-2014

Agendada: 41ª reunião, 16 de Setembro de 2014
Debatida e votada: 16 de Setembro de 2014
Resultado da Votação: Aprovada por Unanimidade e Aclamação
Passou a Deliberação: 228/AML/2014
Publicação em BM: 1º Suplemento ao BM nº 1074

Fernando da Silva Maurício (Lisboa/21.11.1933- 15.07.2003/Lisboa) nasceu em Lisboa na Rua do Capelão em pleno coração da Mouraria, um bairro de grandes tradições fadistas, dono de um voz inconfundível, é um marco na História do Fado.

Fernando Maurício começou a cantar com apenas oito anos de idade, numa taberna da Rua do Capelão, o Chico da Severa, onde se reuniam fadistas. E, logo aos treze anos, em 1947, quando já trabalhava a fazer calçado, conseguiu uma autorização especial da Inspeção dos Espetáculos para iniciar a sua carreira profissional de fadista, depois de um meritório 3º lugar o concurso de Fados “João Maria dos Anjos” no Café Latino. Foi então contratado pelo empresário José Miguel para atuar aos fins-de-semana nas casas que ele, nos seus estabelecimentos: o Café Latino, o Retiro dos Marialvas, o Vera Cruz e, o Casablanca, no Parque Mayer. Nos anos 50 do séc. XX cantou no Bairro Alto, no Café Luso, na Adega Machado e n’ O Faia.

Nas décadas de 60 e 70, passou para casas como a Nau Catrineta, a Kaverna, O Poeta, a Taverna d’El Rey e, regressou ao Café Luso. Nos anos 80, foi actuar para a Adega Mesquita, no Bairro Alto.

Chamado Rei do Fado, também cantou durante cerca de 20 anos em programas de Fados na Emissora Nacional, na RTP, e gravou discos, dos quais se destacam «De Corpo e Alma Sou Fadista» (1984), «Fernando Maurício, Tantos Fados Deu-me a Vida» (1995), «Fernando Maurício, Os 21 Fados do Rei» (1997), «Fernando Maurício» na colecção O Melhor dos Melhores (1997), «Fernando Maurício» na coleção Clássicos da Renascença (2000) e, «Saudade de Fernando Maurício – Antologia 1961-1995» (2004). Foi ele que celebrizou o fado “Igreja de Santo Estevão”.

Fernando Maurício foi uma figura incontornável na história do fado de Lisboa e, no seu perfil humanista, cantou durante toda a sua vida em centenas de festas de beneficência por todo o país. Também participou em inúmeros espetáculos no Luxemburgo, Holanda, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos e foi galardoado com o Prémio da Imprensa (1969), os Prémios Prestígio e de Carreira da Casa da Imprensa (1985/1986), o Diploma de Mérito da Associação Portuguesa Amigos do Fado e, ainda o título honorífico da Comenda de Bem Fazer (2001) atribuído pela Presidência da República. Tem uma placa evocativa na Rua do Capelão, descerrada por Amália em Junho de 1989 e, mais duas Festas de Homenagem promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa em 31 de Outubro de 1994 (São Luiz) e em 12 de Maio de 2001 (Coliseu) que também lhe dedicou uma homenagem póstuma «Boa Noite Solidão» em 5 de Fevereiro de 2004 (Coliseu).

Por tudo isto e pelo enorme prestígio e significado que têm para o fado, a Câmara Municipal de Lisboa, no ano de 2005 atribui o seu nome a uma Rua em Marvila (ex- Via 3 à Rua do Vale Formoso de Cima), no entanto, entendemos enquanto eleitos do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Lisboa, propor à Câmara Municipal de Lisboa, a criação do Largo Fernando Maurício, no coração do bairro que o viu crescer e tornar homem, mais concretamente junto à Rua da Guia, no espaço onde foi recentemente colocada o busto deste Fadista.

Lisboa, 16 de Setembro de 2014

O Deputado Municipal
Miguel Coelho

Documentos
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