Assembleia Municipal de Lisboa
Moção 05/022 (PSD) - Comemorar os 40 Anos do 25 de Abril
15-04-2014

Agendada: 22ª reunião, 15 de Abril de 2014
Debatida e votada: 15 de Abril de 2014
Resultado da Votação: Aprovada por maioria com seguinte votação: favor - PS/ PSD/ CDS/ PAN/ PNPN - contra - PCP/ BE/ PEV - abstenções - MPT/ 6IND
Passou a Deliberação: 85/AML/2014
Publicação em BM: 3º Suplemento ao BM nº 1052

Foi há quarenta anos que um conjunto de jovens capitães movidos pelos mais nobres ideais democráticos e pela necessidade de pôr fim a uma guerra sem sentido e de todo injusta, se juntaram e com enorme coragem arriscaram as suas vidas e o seu futuro para pôr fim a uma ditadura de quase cinquenta anos.

Portugal, estava, desde 1961, envolvido numa guerra injusta, repudiada por toda a comunidade internacional, que levou ao seu isolamento político e económico.

A guerra ceifava vidas e consumia recursos a um País já com os níveis de pobreza mais altos da Europa

Comemorar o 25 de Abril, 40 anos depois é, por um lado o reconhecimento desse importante marco da nossa história e por outro lado fazer com que a nossa memória colectiva não esqueça o que foi o regime que nos oprimiu durante 48 anos e muito menos se esqueçam os instrumentos que esse regime utilizou para conservar o poder.

Lembrar esse passado é tanto mais importante, quando começam a surgir muitos portugueses a, por força das dificuldades que o País atualmente atravessa, dar sinais de desilusão com a democracia e a afastarem-se da participação democrática.

Como aquilo que se vivia em Portugal antes do 25 de Abril não fosse mau demais para que persista qualquer saudade. Falta de liberdade, falta de democracia, guerra, isolamento, mau estar social, enorme atraso cultural, extrema pobreza, censura, perseguições por delito de opinião.

As barracas e a exclusão social invadiam Lisboa, a economia não resistiu aos primeiros sintomas da crise do petróleo, a agricultura praticamente não existia, a educação era para poucos, os direitos humanos eram espezinhados e as prisões estavam cheias de Portugueses só porque ousavam pensar diferente.

Mas infelizmente em muitos momentos históricos tivemos o comprazimento na dor ou na ausência, que geram a fuga para trás e o culto mórbido do passado.

Também e felizmente em outros momentos da nossa história empolgaram-se gerações de portugueses como foram com a visão de um D. Dinis, a dimensão estratégica de um D. João II, o desafio humano da expansão por outros continentes.

É a dialética permanente da forma de sermos Portugueses.
O 25 de Abril e os quarenta anos que agora se comemoram são isso mesmo, a constante dialética entre a reinvenção sonhada e a Pátria, feita de crises, de sobressaltos, de avanços e recuos, de saudade e determinação.

A memória que comemoramos foi um primeiro passo num processo longo, que teve avanços e recuos e leituras tão diversificadas quanto as perspetivas dos observadores, cuja era ainda condicionada com o próprio evoluir do processo

Os primeiros anos de democracia foram tempos difíceis que dividiram os Portugueses de modo quase irreversível. Importaram-se ideias. Que praticamente todo o mundo já tinha rejeitado e exportamos guerras pra onde devíamos ter levado a paz e o progresso. Atrasou-se até perto do limite a economia do País.

Mas os Portugueses souberam, de uma forma categórica, retomar o seu caminho. Ultrapassar os obstáculos, impor a democracia e a liberdade e vive-las tão exemplarmente quanto outras nações com experiências muito mais longas de regimes democráticos.

De entre as conquistas da democracia em Portugal uma deve ser salientada – O Poder Local- que deu voz às populações, para de forma mais próxima gerirem os seus interesses diretos e provocar o desenvolvimento das suas terras.
Foi esta conquista que permite hoje estarmos aqui, na multiplicidade das nossas opiniões a defender o interesse de Lisboa.

Foram muitos os heróis desta caminhada, uns ainda hoje glorificados, outros quase esquecidos outros ainda mal compreendidos. Foram militares, políticos sindicalistas, intelectuais, cantores, artistas, trabalhadores e empresários que acreditaram e transformaram em realidade o sonho de um punhado de bravos e generosos capitães que num Abril de há quarenta anos tiveram a coragem de dizer –BASTA!

Talvez pudesse ter sidodiferente. O anterior regime alterar-se e evoluir por um outro qualquer processo e chegarmos à democracia por um outro caminho. Mas serão sempre especulações e nada nem ninguém nos poderá garantir que de outra forma seria melhor, quer quanto ao percurso, quer quanto ao resultado.

Foi um percurso de quarenta anos e o resultado é positivo, mesmo considerando que por várias circunstâncias de ordem interna e externa o País e os Portugueses vem atravessando um período de dificuldades que todos desejamos que sejam ultrapassadas o mais rapidamente possível, mas que por maiores que sejam a dificuldades, só a Democracia e o seu exercício o poderá permitir.

Repito aquilo que há vinte anos também aqui disse
“O futuro continuamo-lo a construir dia –a- dia de uma maneira plural e patriótica , como aquelas palavras da heroína de José Cardoso Pires “ que remédio , se não inventarmos o País , não cabemos nele”
É isso que o Partido Social Democrata, hoje, quase quarenta anos depois do 25 de Abril, deseja e reclama para si e para todos, que os Portugueses continuem a fazer Portugal juntos, pois “se não inventarmos o País, não cabemos dentro dele”.
Viva o 25 de Abril, viva Lisboa , viva Portugal.

Lisboa, 14 de Abril de 2014

Pelo Partido Social Democrata
Victor Pereira Gonçalves

Documentos
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