Assembleia Municipal de Lisboa
138ª reunião da AML |2 de Março 2021|videoconferência
Casa da Cidadania rejeita comissão para acompanhar vacinação
03-03-2021 LUSA

Os partidos de esquerda na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) chumbaram hoje uma proposta do PSD para criar uma comissão eventual para acompanhar e monitorizar "o funcionamento do plano municipal de vacinação".

PS, BE, PCP e PEV argumentaram que o plano de vacinação contra a covid-19 é nacional e não municipal, defendendo que o acompanhamento da vacinação na cidade deve ser feito por uma das comissões permanentes já existentes.

"Deve ser uma das oito comissões permanentes a acompanhar esta questão da vacinação (...). Não deve haver um tipo de inquérito para o qual não temos competência", salientou o deputado socialista Manuel Lage.

A proposta do PSD, votada na sessão plenária da AML, a decorrer por videoconferência, teve os votos contra do PS, PCP, BE, PEV e 10 deputados independentes e a favor do PSD, CDS, PAN, MPT, PPM e um deputado municipal independente.

Os sociais-democratas pretendiam a criação de uma comissão eventual para "acompanhar e monitorizar o funcionamento do Plano Municipal de Vacinação adotado pela Câmara de Lisboa", tendo em conta "os problemas ora conhecidos relacionados com a distribuição de sobras".

O vereador da Proteção Civil na Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Castro, renunciou ao cargo em 16 de fevereiro, depois de ter sido vacinado contra a covid-19, quando foram administradas doses que sobraram dos lares.

Na carta dirigida ao presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), justificou a demissão com o "mal-estar" provocado em vários serviços do município.

No dia 09 de fevereiro, a Câmara de Lisboa fez saber que, na sequência da vacinação em lares e residências para idosos, sobraram 126 vacinas, uma média de 18 por dia.

Dando cumprimento às determinações das autoridades de saúde, indicou então a autarquia, foram ministradas 26 doses das vacinas a elementos das equipas envolvidas diretamente da operação de inoculação nos lares, designadamente 15 enfermeiros e oito elementos da Proteção Civil municipal presentes no local da vacinação, entre os quais o vereador com a pasta respetiva, e também três elementos da Higiene Urbana, entre os quais a sua diretora, envolvidos no processo de recolha das seringas utilizadas na vacinação.

As restantes 100 sobras "foram ministradas a profissionais dos grupos constantes na primeira fase de prioridade definida" pela Direção-Geral da Saúde.

"Foram assim vacinados 56 bombeiros voluntários e o comandante e subcomandante do Regimento de Sapadores Bombeiros, e 42 elementos da Polícia Municipal, incluindo o comandante", especificou a autarquia.