Assembleia Municipal de Lisboa
Exposição do Mundo Português - 1940 @ Eduardo Portugal
Exposição do Mundo Português - 1940 @ Eduardo Portugal
137ª reunião da AML |23 de Fevereiro 2021|videoconferência
Metrópolis e Praça do Império em discussão
24-02-2021 AML com Renascença e Público

A Renovação do Jardim da Praça do Império esteve presente em mais uma sessão da AML sob a forma de debate de actualidade, bem como o futuro do Club Metrópolis, apresentado através de petição.

Requerido pela bancada do PS da Assembleia Municipal, o Debate de actualidade sobre a Renovação do Jardim da Praça do Império prolongou-se para lá do tempo regimental previsto, com posições muito diversas das várias bancadas, refletindo a premência da discussão agendada.

A polémica começou há cinco anos, quando, em 2016, a Câmara de Lisboa aprovou, com os votos contra da oposição, a decisão do júri do concurso de ideias lançado para renovação do Jardim da Praça do Império, que não previa a recuperação dos brasões florais.

A decisão foi contestada, mas o assunto acabou por cair no esquecimento. Neste ano, a polémica voltou a ser notícia, porque foi adjudicada a obra para retirar os brasões.

Como surgiram os brasões florais da Praça do Império?

A Praça do Império foi construída por altura da "Exposição do Mundo Português", realizada em 1940. Tratou-se de um evento comemorativo dos 800 anos da Independência de Portugal e dos 300 anos da Restauração da Independência.

Em 1961, por ocasião da XI Exposição Nacional de Floricultura, foi plantado um conjunto de 32 brasões, com os desenhos de pequenos arbustos e flores a representar as províncias do Império e quatro lagos periféricos encimados por dois imponentes grupos escultóricos representando figuras míticas de dois cavalos com cauda de animais marinhos.

A autarquia defende que os brasões são ilegíveis por falta de manutenção, e o vereador do Ambiente, José Sá Fernandes, explica que os brasões foram projetados por um jardineiro da câmara, mas que já não existem os moldes dos projetos que permitam a manutenção, estando estes arranjos sem qualquer intervenção há mais de 20 anos.

Após a aprovação do projeto para a renovação do jardim surgiram várias petições contra a ideia, sendo uma entregue na Assembleia Municipal, que motivou uma visita da 4ª e 7ª comissão, seguida de relatório e recomendação.
O assunto acabou por ir caindo no esquecimento e, no fim de 2020, foi adjudicada a obra que prevê a renovação do jardim, e a polémica voltou a estar na ordem do dia.

Neste âmbito, surgiu nova petição que deu entrada na Assembleia Municipal de Lisboa com mais de 13 mil assinaturas e com nomes de peso, como António Barreto, professor e antigo ministro da Agricultura, Bagão Félix, antigo ministro da Segurança Social, Carmona Rodrigues, ex-presidente da autarquia, Duarte Pio de Bragança, e Telmo Correia, deputado do CDS. Dizem que o projeto "é uma manifestação de imaturidade democrática".

Também o Chega, sem se referir especificamente a este projeto, anunciou que vai apresentar um projeto de resolução que recomenda ao Governo a criação de um programa nacional de "cultura e memória" para preservar "todos os símbolos históricos da nação portuguesa".

Em declarações à Renascença, Fernando Medina garante que ninguém está a tentar fazer uma "revisão histórica" e retoma a ideia que não é possível retirar o que já não existe, referindo-se ao mau estado de conservação dos brasões.

No entanto, a polémica em torno dos brasões florais estará resolvida, noticia esta quarta-feira o "Diário de Notícias", segundo o qual Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, e o vereador do Clima e Estrutura Verde, José Sá Fernandes, se reuniram ainda na terça-feira com o líder do Movimento Nova Portugalidade, Rafael Pinto Borges. Do encontro terá saído a garantia da autarquia de que "não há má vontade contra os brasões" e, da parte dos peticionários, de que nada os move contra a Câmara de Lisboa, havendo "apenas uma discordância de cidadania".

Procura-se nova casa para o Metrópolis

Doze anos depois de ter surgido em 2008 no Centro Comercial Imaviz, o Metropolis Club teve de anunciar o adeus ao espaço que ocupava, onde noutros tempos fora a discoteca Whispers, por o edifício ter sido adquirido por uma multinacional hoteleira.

Inconformados com a impossibilidade de continuar a servir um menu de noites em que se serviam sons alternativos - "industrial, harsh elektro, power elec., post-punk, goth, darkwave, metal", "minimal, new wave, indie, '80s" -, o Metropolis e os seus seguidores apresentaram uma petição à Casa da Cidadania.

Apreciada pela 7ª Comissão (da Cultura), a sua recomendação à Câmara Municipal, e aprovada em plenário, refere "a importância de uma cidade que se quer viva, urbana e que a Cultura Rock tem de ser protegida e salvaguardada", instando a Câmara "a procurar uma solução, em articulação com a EGEAC e a GEBALIS, no sentido de encontrar um espaço onde o Metropolis possa prosseguir a sua atividade cultural na cidade".