Assembleia Municipal de Lisboa
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Projecto zona Torres de Lisboa
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Projecto zona Campo Grande
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Consulta Pública || Alargada até 29 de Janeiro
Projecto para a Segunda Circular em consulta pública
05-01-2016 AML || Inês Boaventura || Inês Banha , Público || DN

O prazo da Consulta Pública do projecto da Câmara de Lisboa para a Segunda Circular, que prevê uma redução da velocidade máxima de circulação nesta via de 80 para 60 quilómetros/hora, foi alargado até dia 29 de Janeiro.

Até essa nova data (dia 29 de Janeiro), os interessados podem apresentar, através da Internet ou presencialmente no edifício do município no Campo Grande, as suas sugestões sobre o projecto. No site da Câmara de Lisboa estão disponíveis para consulta vários documentos relativos à intervenção, incluindo a memória descritiva, o estudo de tráfego e o projecto de arquitectura paisagista.

Como o PÚBLICO já noticiou, a autarquia está disposta a pagar por esta obra, que deverá prolongar-se por 300 dias, 9,750 milhões de euros (acrescidos de IVA). A proposta que visa o lançamento de um concurso público para a concretização desta empreitada foi levada à reunião camarária de 23 de Dezembro, mas a sua votação acabou por ser adiada.

Nos documentos em consulta, a Segunda Circular é apresentada como sendo uma "via congestionada", com "funções desadequadas" e "em mau estado de conservação". A "estratégia de intervenção" da câmara para esta via, que tem "10,1 quilómetros de extensão" e "31 acessos por sentido", passa por atribuir-lhe "maior segurança", "maior capacidade", "menor velocidade" e "melhor integração urbana".

"Constituir a CRIL e o Eixo Norte- Sul como percursos preferenciais de atravessamento à cidade de Lisboa" é uma das medidas que a câmara aponta como necessárias para que a Segunda Circular deixe de ser uma "barreira que divide a cidade".

No estudo de tráfego desenvolvido pela TIS (Transportes, Inovação e Sistemas), descrevem-se as acções previstas para os "nós mais críticos" (o do Colombo/Estrada da Luz, o da Azinhaga das Galhardas/Campo Grande e o do Campo Grande), acrescentando-se que, para cumprir o desígnio de transformar esta artéria "numa via de carácter mais urbano", contribuirão também "alterações ao nível dos sistemas de drenagem e de paisagismo" e "a redução do limite de velocidade máxima de circulação face à situação actual". No mesmo documento, sublinha-se que, "apesar de a velocidade máxima permitida ser 80 km/h, a velocidade média em hora de ponta é de 45,7 km/h".

De acordo com o estudo da consultora, a requalificação preconizada pelo município irá traduzir-se num decréscimo "de quase 19% no número de veículos" que circulam na Segunda Circular. "O decréscimo na zona do aeroporto atinge os 25%, enquanto em termos absolutos o sublanço mais beneficiado se situa entre a Azinhaga das Galhardas e o Campo Grande, com uma redução na ordem dos 26.000 veículos/dia nos dois sentidos", refere-se ainda no documento.

A TIS reconhece ainda que esta intervenção se irá traduzir "num acréscimo de tráfego em algumas das vias 'concorrentes'". "A CRIL/ IC17, por exemplo, regista um acréscimo médio de 10% da procura média diária, enquanto o volume do Eixo Norte-Sul (entre a CRIL/IC17 e o nó com a Segunda Circular) sobe cerca de 4%, tal como o da Radial de Benfica", explicita-se no estudo de tráfego, no qual acrescenta que "outras vias de carácter mais urbano, como a Av. Infante D. Henrique ou a Av. Marechal António Spínola, registam, em alguns dos seus troços, ganhos de procura".

António Prôa, do PSD, diz ter "algumas reservas" relativamente à requalificação que o executivo presidido por Fernando Medina pretende concretizar, nomeadamente por ela incluir "intenções cuja concretização não dependem da câmara" e implicam "uma articulação" com a entidade gestora do Aeroporto de Lisboa e com a Infra-estruturas de Portugal.

"Não me parece que isso esteja garantido", afirma o vereador, que ainda assim considera "interessante" a iniciativa de se intervir na Segunda Circular. Pelo CDS, João Gonçalves Pereira lembra que esta é uma proposta "com um impacto grande em termos financeiros e de mobilidade", pelo que é necessário tempo para a avaliar. Já Carlos Moura, do PCP, sublinha que está em causa "uma via estruturante da cidade", defendendo por isso que o projecto do município deve ser objecto de uma ampla divulgação, nomeadamente através da organização de sessões públicas de esclarecimento.

Assim vai ser a 2.ª Circular já em 2017

Conduzir com árvores à esquerda e à direita não será a imagem que mais facilmente se associa à 2.ª Circular, mas, dentro de um ano, poderá ser precisamente essa a realidade.

O projecto da Câmara Municipal de Lisboa transforma aquela via rápida numa avenida urbana em que o verde impera até no separador central e a velocidade de circulação não ultrapassa os 60 km/h, está ainda aberto a contributos de qualquer pessoa e, por isso, pode ainda vir a ser alterado, mas, a concretizar-se conforme a proposta actual, mudará radicalmente a face da 2.ª Circular.

Hoje semelhante a qualquer via rápida, poderá, em 2017, passar a ter em toda a sua extensão um separador central com 3,5 metros de largura que só sob os viadutos não será arborizado. O espaço será ganho à custa da vias onde circulam os carros: cada uma passará a ter apenas 3,25 metros de largura, ficando a da direita, cujo betão será de uma cor diferente, destinada a movimentos de entrada e saída.

De acordo com a proposta disponível no site da autarquia liderada por Fernando Medina, a 2.ª Circular deverá, de resto, ser repavimentada em toda a sua extensão, numa intervenção que permitirá diminuir em 50% o ruído provocado pela circulação dos automóveis.

Simultaneamente, o sistema de drenagem será reabilitado, a sinalização será renovada para se tornar "mais visível e compreensível" e a iluminação será substituída por uma "solução mais eficiente" que permitirá reduzir o consumo de energia em 60%.

Três nós com alterações

No final, a velocidade de circulação não deverá ir além dos 60 km/h - actualmente, a máxima permitida é 80 km/ h -, estando prevista a instalação de "um sistema de controlo de velocidade média nos troços mais críticos em termos de segurança". Estão, aliás, previstas alterações em três nós considerados críticos: junto ao Estádio da Luz, onde é eliminado o acesso da Avenida Condes de Carnide; no Campo Grande, onde, para compensar a eliminação do acesso da 2.ª Circular à Avenida Padre Cruz, será antecipado o movimento de saída junto ao Colégio de Santa Doroteia; e perto da Azinhaga das Galhardas, cujo acesso será eliminado mas "apenas após a reformulação da ligação da Avenida Lusíada ao Eixo Norte-Sul" (clique na infografia acima para aumentar).

"A conclusão do Eixo Norte-Sul, em 2007, e mais tarde da CRIL, em 2011, vieram potenciar a transferência do tráfego que hoje circula na 2.ª Circular para estas vias do sistema regional com características de auto-estrada, permitindo, agora, alterar a função e as características da 2.ª Circular para um grande eixo distribuidor de tráfego interno à cidade com carácter mais urbano", justifica, na apresentação do projecto, o município. A autarquia frisa ainda que em causa está a "rodovia de Lisboa com maior nível de sinistralidade" e que a intervenção permitirá aumentar a sua segurança, fluidez e sustentabilidade ambiental.

Associações com dúvidas

Manuel João Ramos, presidente da ACA-M, reconhece que a CML herdou uma estrada "com imensos problemas de origem" e sublinha que já em 2007 se tinha concluído que "era urgente fazer obras de repavimentação, alteração do traçado e sinalização na 2.ª Circular", mas defende que a solução deveria passar por mudanças de perfil.

"Esta proposta vai causar engarrafamentos monumentais, tem um tráfego pesadíssimo. Se calhar era mais urgente resolver o problema do traçado", sublinha.

O responsável defende, assim, que, "antes de tratar" daquela via rápida, deveria ser "prioritário" devolver o perfil urbano" às avenidas de Berna e das Forças Armadas, que, frisa, sofrerão o efeito de eventuais alterações na 2.ª Circular.

Manuel João Ramos refuta ainda que a conclusão do Eixo Norte-Sul e da CRIL seja suficiente para permitir a reconversão da 2.ª Circular numa avenida urbana. "Ao mesmo tempo, abriu o Túnel do Marquês (o último troço foi inaugurado em Abril de 2012). O que tinha sido tirado, voltou", lembra.

Igualmente crítico é o presidente do ACP, entidade que está a preparar um parecer para entregar ainda durante a consulta pública. "Não tem qualquer espécie de sentido: aquilo não é propriamente um passeio, um sítio para passear", afirma Carlos Barbosa.

Ao DN, a CML reitera que "a intervenção proposta para a 2.ª Circular visa aumentar a segurança e a capacidade de escoamento desta via, que é hoje muito inferior à aparentada pela actual velocidade legal". Em hora de ponta, por exemplo, esta não vai, em média, além dos 45,7 km/h.

Depois de terminar a consulta pública, o projecto volta a reunião do executivo municipal. As obras deverão durar 11 meses, não havendo ainda uma data definida para o início dos trabalhos.

FACTOS
  • 105 000 > veículos/dia nos dois sentidos

Sublanço mais carregado é o que ocorre entre o nó da CRIL/IC19 e a radial de Benfica, onde circulam quase 105 mil automóveis por dia. Cada automóvel percorre em média três quilómetros.

  • 45,7 < km/h em hora de ponta

Apesar de a velocidade máxima da 2.ª Circular ser de 80 km/h, em hora de ponta a velocidade média cai para quase metade. A autarquia quer que não venha a ser mais de 60 km/h.

  • Separador central da 2.ª Circular terá 3,5 metros de largura.

Só sob viadutos não terá árvores.

  • Largura das vias vai ser reduzida para 3,25 metros.
A da direita terá outra cor e será para entradas e saídas
  • Iluminação será alterada.
  • Eixo será repavimentado na totalidade e sistema de drenagem será reabilitado

A diferença entre a actual 2.ª Circular e a que a Câmara Municipal de Lisboa projecta é evidente. Seja junto às Torres de Lisboa (clique na imagem acima para aumentar) ou ao Campo Grande (clique na imagem acima para aumentar) , o verde das árvores do novo separador central com 3,5 metros de largura e das imediações da estrada impressiona. Segundo a memória descritiva do projecto, o Lódão será a espécie dominante (70%). As restantes são o bordo, o Freixo português, o Zambujeiro e o Pinheiro-de-Alepo. Nas imagens, nota-se ainda a cor que será característica, nos dois sentidos, da via da direita