Assembleia Municipal de Lisboa
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1ª reunião do Grupo de Trabalho de Apoio aos Refugiados.
Lisboa aberta a receber 500 refugiados
23-09-2015 AML com LUSA e Observador

"É reconfortante constatar uma total unanimidade em torno da nossa obrigação de acolher os refugiados que vierem e uma grande disponibilidade das juntas de freguesia para actuar no terreno", declarou Helena Roseta, presidente da AML, no final da 1ª reunião do Grupo de Trabalho de Apoio aos Refugiados.

A 1ª reunião do Grupo de Trabalho de Apoio aos Refugiados constituído na órbita da Assembleia Municipal de Lisboa, juntou ontem presidentes de juntas, deputados municipais e a câmara, para dar uma resposta mais eficaz a uma situação "que nos une a todos", disse o social-democrata Victor Gonçalves. "Isto não pode ter nada a ver com a política interna", afirmou.

Também Helena Roseta, presidente da assembleia, sublinhou a importância de "trabalhar em conjunto, em sinergia", no que foi secundada por João Afonso, vereador dos Direitos Sociais: "O que é necessário para nós, Lisboa, é acima de tudo coordenação".

Perante o objectivo de serem acolhidas cerca de 500 pessoas em Lisboa (10% do contingente nacional), apresentado pelo vereador, conseguiu-se de facto um largo consenso e uma grande disponibilidade das juntas de freguesia para actuar no terreno, o que aliás já estão a fazer.
"Há muita gente já a trabalhar, com a Câmara, a Santa Casa, o Conselho Português para os Refugiados e o Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados à cabeça. E tudo isto articulado com a Plataforma nacional de Apoio aos Refugiados", referiu Helena Roseta.

Ficou ainda claro que não serão disponibilizados fogos municipais para alojar refugiados, pretendendo-se recorrer a fogos que estejam no mercado livre, tendo os presidentes de junta recebido bem a ideia de ver no mercado imobiliário quantas casas estão disponíveis nos seus territórios. A ideia partiu da presidente da assembleia municipal, Helena Roseta, que afirmou já haver um princípio de acordo com a Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária para agilizar os processos de busca e arrendamento. Roseta e o presidente da câmara, Fernando Medina, consideram que as habitações a disponibilizar aos refugiados não podem ser municipais, para não criar um "conflito indesejável" entre as famílias carenciadas da cidade - que passam por um rigoroso processo de candidatura às casas que a autarquia disponibiliza - e as pessoas que fogem à guerra. "Não seria correcto estarmos a passar à frente" dessas famílias, justificou a presidente da assembleia.

Helena Roseta lançou ainda uma outra ideia: a da criação de um programa de padrinhos, "pessoas que estejam disponíveis para dar o apoio necessário", como o acompanhamento a locais ou o encaminhamento para os serviços adequados.

Para fazer face a este cenário está já em elaboração pela CML, um programa de acolhimento ao qual estão alocados cerca de dois milhões de euros, que além de fornecer habitação pretende responder a outras necessidades dos refugiados, em articulação com dezenas de entidades, como a Santa Casa, o Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados e o Conselho Português de Refugiados. Acesso a alimentação e vestuário, a formação, ao mercado de trabalho e à saúde são algumas das prioridades da autarquia. "Nós temos de estar preparados no final de Outubro", disse João Afonso já no fim da reunião.

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