Assembleia Municipal de Lisboa
Habitação - CML
Nos bairros municipais de Lisboa há mais de 500 famílias insolventes
19-11-2014 Inês Boaventura, Público

Segundo o presidente da empresa que gere os bairros da Câmara de Lisboa, houve um "acréscimo exponencial" destes casos desde 2010. Mais de 500 famílias residentes em bairros municipais da Câmara de Lisboa estão em processo de insolvência. Segundo o presidente do conselho de administração da Gebalis, o número de agregados nesta situação sofreu um "acréscimo exponencial desde 2010", o que já levou a empresa a elaborar um manual interno com os procedimentos a adoptar nestes casos.

"Até 2010 era uma situação que ocorria de cinco em cinco anos", explicou Sérgio Cintra, acrescentando que a postura que a empresa que gere os bairros municipais de Lisboa procura ter em situações como esta é a de "proteger as famílias" e de envolver no acompanhamento destes processos outros parceiros no terreno. Segundo o presidente da Gebalis, em boa parte dos casos os processos de insolvência são desencadeados por instituições de crédito pessoal.

Numa visita com jornalistas a alguns pontos da cidade para mostrar parte do trabalho feito pelo pelouro da Habitação e do Desenvolvimento Local, Sérgio Cintra adiantou ainda que, entre Setembro de 2013 e Junho deste ano, mais de duas mil famílias já pediram uma redução do valor da renda. Questionada sobre o incumprimento verificado no pagamento de rendas, a vereadora Paula Marques preferiu destacar que "há 88%" dos moradores dos bairros municipais que "pagam no período regulamentar".

Um dos pontos de paragem nesta visita foi o Bairro Padre Cruz, em Carnide, onde a autarca dos Cidadãos por Lisboa adiantou que deverá arrancar no Verão de 2015 a construção de dois lotes, com dez fogos cada um, para realojar moradores das casas de alvenaria do bairro. Está em causa um investimento de 1,2 milhões de euros, a concluir até ao fim de 2016 com verbas "remanescentes" do Programa de Investimento Prioritário em Ações de Reabilitação Urbana (PIPARU).

Segundo a vereadora Paula Marques, ainda esta semana a câmara vai lançar uma nova edição do programa de renda convencionada, através do qual procurará arrendar 12 fogos, com rendas com valores cerca de 30% abaixo dos do mercado.
Inês Boaventura//Público