VOTO DE PESAR PELO FALECIMENTO DO OLISIPÓGRAFO JOSÉ SARMENTO DE MATOSFaleceu no passado dia 28 de outubro em Lisboa o olisipógrafo e historiador de Arte José Sarmento de Matos com 72 anos de idade vítima de doença prolongada.
Nascido a 8 de junho de 1946, em Lisboa, perto do Bairro Alto, frequentou o curso de Direito, onde foi colega de Marcelo Rebelo de Sousa e Leonor Beleza, acabando por se inscrever em História na Faculdade de Letras.
Passou mais que uma década pela Direcção-Geral dos Assuntos Culturais/Direcção-Geral do Património Cultural, decidindo, posteriormente fazer uma especialização em História de Arte com José Augusto França.
Colaborou com os jornais “Expresso” e “O Independente”, tendo sido coordenador editorial da prestigiada revista Oceanos, da Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Neste âmbito, estaria envolvido, juntamente com o seu amigo António Mega Ferreira, na complexa idealização e conceção da Expo-98, realizando estudos aprofundados sobre a zona oriental de Lisboa que viriam a ser publicados no Guia Histórico I “Caminho do Oriente” (1999).
Alguns anos mais tarde voltaria a debruçar-se sobre esta zona da cidade publicando em 2003 a “Casa Nobre do Braço de Prata”. No plano da toponímia, são de José Sarmento de Matos os nomes das ruas do Parque das Nações.
Nas suas obras de referência, destaca-se a obra inacabada “A invenção de Lisboa”, com dois volumes publicados nos anos de 2008 e 2009. Esta sua importante obra propõe uma visão de conjunto da história da cidade, onde a par da erudição da olisipografia clássica, integra o perfil de historiador da arquitetura e do urbanismo, vertentes consubstanciadas numa fundamentada leitura analítica da cidade baseada numa sólida pesquisa documental.
Mais recentemente publicou “Um Sítio na Baixa: A Sede do Banco de Portugal” (com Jorge Ferreira Paulo), sobre o local onde se instalou o Museu do Dinheiro, assim como a obra coletiva “Palácio Portugal da Gama /São Roque”, volume que inaugurou a coleção Património da Misericórdia de Lisboa.
A sinopse que anima o espírito da sua “Invenção de Lisboa” deixa bem patente a inteligência e a sensibilidade de Sarmento de Matos no entendimento integrado da diversidade de leituras que a cidade nos oferece, afinal uma cidade feita de gentes, lugares e paisagens, tão diversas quanto as suas múltiplas narrativas históricas e imaginárias ao longo da sua existência milenar:
“Se o homem é ele mais as suas circunstâncias, a cidade é ela mais as suas interpretações. Cada lisboeta, ou mesmo um estranho, tem a sua ideia de Lisboa, vista de dentro ou percebida com a distância de quem vem de fora.”
*Assim, a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida a 30 de outubro de 2018, delibera:
1.- Manifestar o seu profundo pesar pela morte de José Sarmento de Matos, guardando um minuto de silêncio em sua memória e homenagem.
2 – Apresentar à família as mais sentidas condolências.*
A Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa
Helena Roseta
Pelo Grupo Municipal do Partido Socialista
José Leitão